— Alô?
— Oi.
— Oi.
— Está tudo bem?
— Está sim.
— Aconteceu alguma coisa?
— … Acho que não.
— São duas da manhã amor, tô com sono, o que você quer?
— Quero você.
— Também sinto sua falta.
— Eu sinto mais.
— Eu sinto muito.
— Sente muito pelo que?
— Por você.
— Por mim?
— É… Sinto muita saudade, muito carinho, muito amor, muita saudade, muito amor, muita saudade…
— Tá repetindo.
— O que?
— Saudade, amor, saudade, amor — ele sorriu — Você já tinha falado.
— Eu sei, mas é que como eu sinto muita saudade e muito amor se eu falar só uma vez não adianta.
— Vai dormir pequena.
— Saudade, amor, saudade, amor… Ei, ainda ta ai?
— Tô.
— Eu te amo, tá?
— Também te amo!
— Desculpa te acordar…
— Tudo bem, eu já entendi, saudade, amor, saudade, amor… Eu também sinto muito.
Do outro lado da linha ela sorriu, ambos desligaram.
Não sou ninguém importante, apenas um homem comum, com pensamentos comuns. Eu levo uma vida comum. Nenhum monumento dedicado a mim. Meu nome logo será esquecido. Mas em um aspecto, eu obtive sucesso como ninguém jamais teve. Amei alguém de coração e alma. E isso sempre foi o bastante pra mim.